LOURA-SEDUTORA-2

Loura Aparição PARTE 2 : As Sedutoras Mulheres Assombradas

Aparição, ou fruto do imaginário coletivo? As damas fantasmagóricas do Recife são muitas.

É interessante pensar que em uma terra de belezas morenas, sejam as damas de tez clara as protagonistas de tantos fantasmas. A explicação reside exatamente na aculturação das lendas de origens européias. Aqui, trago mais algumas das belas assombradoras de Recife, desta vez ligadas à agua.

Alamoa

 aparição

   A água sempre acompanhou o Recife. Capibaribe e Beberibe, seus rios, cortam a cidade, considerada a Veneza Brasileira. Acostumados com ela, os recifenses constroem suas lendas também baseados no fluxo das águas e marés. O que há de mais feminino que a água, densa, suave ou voraz, límpida ou pantanosa?

Aparição Alamoa 1

A alamoa , que atrai os homens para a morte.

     A nossa primeira aparição pode ser considerada Recifense, e apesar de aparecer em Fernando de Noronha, já fo avistada por Recife. Conta a lenda, que quando o mar está revolto, surge uma linda mulher, loura, alta e completamente nua. Ela desce de sua morada, no Morro do Pico, e vem seduzir a quem queira provar de seus encantos. Pescadores e ex detentos de Noronha já relataram a visão desta dama branca. O que se conta é que a linda moça seduz o rapaz que dela se enamora e o leva até a pedra do Pico; Ele enxerga um belo palácio, mas está sendo atraído para uma armadilha. Lá chegando, Alamoa mostra sua  verdadeira face; os olhos azuis desaparecem e o enamorado vê os fundos buracos da face de uma caveira. A pedra se fecha por sobre ele e ele morre , afogado.

   Em Recife, ela foi diversas vezes associada às aparições do Açude do Prata, ou mesmo citada pelos pescadores de Boa Viagem. O termo ALAMOA vem da corruptela da palavra alemoa, ou mulher alemã , devido à cor de sua pele e cabelos louros. Segundo Câmara Cascudo, este é um claro caso de aculturação. Pereira da Costa também associa à aparência das mulheres dos tempos Holandeses.

A Sinhazinha do Sobrado de Apipucos

   Esta aparição guarda limites com a Alamoa e com a assombração de BRANCA DIAS, sobre a qual vamos falar em uma outra postagem. O próprio Rio Capibaribe, chamado de "Cão Sem plumas" na poesia de João Cabral de Melo Neto, constitui uma assombração recifense. É rio no masculino, mas é todo mulher. Caprichoso nos seus caminhos, já levou muitas vidas afogadas em suas águas, transformando os mortos em seus seguidores fantasmas. Era costume, em noite de São João, acolher em suas águas devotos que faziam suas ablações  de cunho religioso. Com o tempo, evoluiu para as romarias à beira do Rio, prestando homenagem ao invisível simbólico que suas águas representavam.

   As águas do Poço da Panela e do Beberibe também eram visitadas nestas noites. Assim também Riacho da Prata, agora Açude. As águas tinham a finalidade da superstição, da adivinhação. A moça ou rapaz que olhasse em suas águas, à meia noite da véspera de São João, poderia vislumbrar a face de seu futuro marido. Caso não se conseguisse ver  rosto do futuro noivo, ou não ver o próprio rosto, poderia contar como morte certa.

Aparição Riacho da Prata

 

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A jovem da história, moradora de Apipucos, queria muitíssimo casar. Em épocas que as moças casavam-se com doze, treze anos, ela já era considerada solteirona com vinte. Na noite de São João saiu, junto à mucama , para tirar a sorte olhando no riacho, tentar ver o rosto do futuro marido.

   À beira do Riacho do Prata, a moça se inclinou para ver o rosto do príncipe encantado, porém nada conseguiu distinguir. Inclinou-se mais, e conta a mucama, foi subitamente puxada para as águas do Prata: "Socorro"! Gritou "Ela está me afogando".  Com certeza era Branca Dias, ou Alamoa, levando a jovem para o fundo das águas. Nunca mais foi vista.

Duas Alvas Damas Assombradas

Para finalizar, duas assombrações de terra.

Conta-se que havia antigamente um certo frade que, de dia sendo devoto contrito, à noite fugia do convento para usufruir das damas de vida airada. Adorava um rabo de saia. Certa noite, em uma de suas andadas boêmias, avistou uma linda e loura jovem. Enamorado da beleza dela, ficou muito feliz quando ela lhe notou e o chamou com a mão.

 O frade libertino seguiu a moça pelas ruas, até chegar ao Beco do Encantamento, que ficava por trás da Rua do Vigário. Ela o levou a uma casa estreita e alta, e ele subiu as escadas atrás dela. Adentraram  uma sala escura, e quando ele estava prestes a tocá-la, um feixe de luz cegante apareceu. A moça não mais estava lá, e em seu lugar , no chão, havia um caixão de defunto. O frade deixou seu crucifixo sobre o caixão e correu dali. No dia seguinte, voltando ao local com outros frades, apenas encontrou o crucifixo jogado ao chão.

Aparição do frade libertino

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    Um caso de assombração assutadora é o da “Mulher do Algodão”  que, embora tenha acontecido no Rio de Janeiro, foi manchete de jornais e ficou conhecida em boa parte do Brasil,  e teve até uma reportagem do jornal  Diário de Pernambuco de agosto de 1978. Tratava-se da visão de uma mulher pálida e trajada  uma longa camisola branca, e que aparecia com algodão na boca, nariz e ouvidos, como se coloca em cadáveres .Surgia geralmente nos banheiros dos colégios, aterrorizando as crianças e adolescentes, na década de setenta.  a lenda mais organizada contava que ela era mãe solteira, de um menino. Um dia, indo buscar o filho no colégio, foi atropelada e morreu. O filho dela fora trancado no banheiro, de castigo até ela chegar, e como o tempo passou e passou, esqueceram do menino, que morreu dentro do banheiro esperando pela mãe . A aparição da mulher do algodão se dá pelo fato de ela ainda estar buscando a alma do filho no banheiro, pela eternidade afora.

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