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A Revolução Pernambucana e a Família Souza Leão : Bolo Revolucionário!

A Revolução Pernambucana foi um grito de protesto que conseguiu transformar Pernambuco em país por 75 dias. Curiosidades no site SOMBRAS do RECIFE !

Hoje vamos falar de uma história muito peculiar de Pernambuco, praticamente um símbolo revolucionário... e um bolo. Mas não um bolo qualquer, e sim o bolo que carrega no nome toda a saga de um clã, a família Souza Leão. E mais, um bolo bem representativo, do tempo em que Pernambuco foi um país. Sim, você não leu errado. Pernambuco, durante a Revolução Pernambucana, já foi independente da Coroa Portuguesa. Por 75 dias.

A Revolução pernambucana : O Que Foi.

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      A Revolução Pernambucana, também conhecida como Revolução dos Padres, devido a importância que os mesmos tiveram em sua organização e divulgação, foi um movimento separatista contra a Coroa Portuguesa. Ocorreu em 1817 na capitania de Pernambuco, que já a algum tempo tentava ser auto-suficiente. Caminhar com as próprias pernas e recursos próprios, desde a expulsão dos holandeses do nordeste brasileiro em 1654. 

    Foram 14 anos de submissão. Dos quais nove anos de guerra intermitente, com pouco apoio dos portugueses. Tanto que, depois da mesma invasão, houve uma comoção geral e total destruição de tudo erigido pelos holandeses (com a exceção de algumas construções, tais como a torre da atual Igreja do Carmo, antes o palácio das quatro torres de Nassau).
Quando finalmente Pernambuco se viu livre do jugo Holandês, uma espécie de frisson ufanista permeou toda a população.   

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    O contato com a administração holandesa, que permitia certa autonomia comercial e cultural, somada à vitoriosa luta contra estes, tornou o povo pernambucano particularmente orgulhoso. Era então capaz de contra-argumentar, julgando-se com direito de contestar, em diversas ocasiões, a autoridade do governo português. Isto ocorreu na Guerra dos Mascates, em 1710.

   No início do século XIX, a cidade de Olinda e a então vila do Recife somavam mais de 40 mil habitantes, relativamente uma população vultosa. Pernambuco possuía um porto muito movimentado em Recife. Alguns povoados e vilas com um comércio ativo, muitas plantações de cana e algodão, além de centenas de engenhos que fabricavam açúcar.

   Portugal administrava tanto a produção açucareira, quanto prazos de entrega, o que ia pouco a pouco aumentando a insatisfação geral. Recifenses e Olindenses sabiam que, sem o açúcar nordestino, Portugal iria literalmente amargar, na Europa. E isto apenas tendia a aumentar, cada vez mais.

 

Insatisfações Em Disputas Territoriais e Financeiras

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A crescente pressão dos abolicionistas na Europa criou crescentes restrições ao tráfico de escravos. O que tornava esta mão-de-obra cada vez mais cara, sendo a escravidão o motor de toda a economia agrária pernambucana.
Os holandeses , por sua vez, passaram a produzir e comercializar açúcar a partir de suas colônias na América Central (Antilhas).  O preço do produto caiu no mercado, e diminuiu o número de compradores, do açúcar pernambucano. Houve prejuízo nos lucros dos senhores de engenho e comerciantes pernambucanos, tornando mais difícil o pagamento de dívidas, a importação de mercadorias e dos cada vez mais caros escravos africanos. Era todo um círculo de insatisfação, que aumentava o ardor revolucionário.

Com a vinda da família real para o Brasil, em 1808, ocorre a abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Isto favoreceu os comerciantes brasileiros, que não precisavam mais dividir seus lucros com os intermediários portugueses. Mas a instalação do governo no Rio de Janeiro e beneficiamento local não contemplou o Nordeste, apenas aumentou mais ainda impostos para os nordestinos.
O deslocamento da importância financeira do Norte para o sul do país também contribuiu para inflamar os ânimos Pernambucanos. Em 1816 uma grande seca atingiu Pernambuco e região, causando uma queda na produção do açúcar e do algodão, que sustentavam a economia.  Aumentou a miséria e fome para parte da população, com falta de farinha e feijão.

Os pernambucanos estavam inspirados pelos recém bem sucedidos movimentos revolucionários nos Estados Unidos (contra a Inglaterra) e da França (na figura de Napoleão Bonaparte). A presença de britânicos no Brasil também contribuiu para uma esperança de ajuda transcontinental.

Curiosamente, as ideias liberais e republicanas tomaram forma no seio do SEMINÁRIO DE OLINDA. Por este motivo, a revolta teve o título de Revolução dos Padres.

A Revolução dos Padres

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Pelo menos 70 padres participaram dos ideais revolucionários, e os levaram para suas pregações. Participavam de tropas e eram desde capitães de guerrilha, até mesmo soldados. Alguns conventos, inclusive, serviam de campo de treino militar ou mesmo de depósito de armas e munição.

 

   Os comerciantes portugueses, ligados à exportação de açúcar e algodão, estavam cada vez mais amedrontados no ambiente hostil em que viviam. Preocupados, por um lado com a violência de uma possível revolta de negros e mulatos e, por outro lado, com a rivalidade dos grandes proprietários brasileiros, que se consideravam os verdadeiros donos da terra e de nobreza local.

    Ainda sofriam “bullying”. Os Pernambucanos apelidaram os portugueses e estrangeiros de ”mascates”, pelo fato destes virem  da Europa em navios, para aqui negociar. E assim, gritos de ‘Volta para tua casa!” eram comumente atirados aos estrangeiros .

  Em 1 de março de 1817, setenta e dois  anos antes da república brasileira, Pernambuco se declarou independente da coroa Portuguesa e independente do Reino Unido do Brasil e de Portugal. A ousadia foi fruto de uma revolução. Durante 75 dias, quatro estados nordestinos e parte da Bahia viraram um nação: Pernambuco.

 

Houve inúmeras revoltas e assassinatos neste período. Quando esta república germinal foi abafada e suprimida, ocorreu pela primeira vez na história brasileira a condenação e execução de padres.

   Alguns fatores são apontados como motivos do fracasso. Entre eles, podemos citar a não libertação dos escravos em prol da criação de um exército maior, e a retirada de Alagoas, em rendição ao governo de Portugal.

 

 Vamos focar um pouco agora nas peculiaridades gastronômicas, que são pouco ou totalmente desconhecidas pela maioria dos Pernambucanos.

 

E o que o Bolo Souza Leão tem a ver com isso?

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   Neste período particular, Pernambuco se tomou de ódio a toda e qualquer coisa proveniente de Portugal. Para combater o invasor, muitas mudanças aconteceram, tanto no linguajar comum, quanto na substituição de ingredientes europeus na alimentação em geral.
  

    O tratamento “vosmicê”, corruptela de vossa mercê, foi substituído pelo “vós”, mais informal. Todos eram “patriotas”. Também o vinho do porto, antes usado nas celebrações de missas, foi trocado pela cachaça feita na terra. Mesmo as santas hóstias eram confeccionadas de massa de tapioca. A farinha de trigo branca, vinda do reino deixou de ser utilizada nos pratos, e isto originou curiosos novos quitutes, entre eles o famoso BOLO DE SOUZA LEÃO.
 

   Em épocas de ufanismo pernambucano, a família tradicional da terra era por demais apegada às origens. Algumas linhagens se destacaram na revolução, tal como os Suassuna, e os Souza Leão. Na época, a família era possuidora do Engenho São bartolomeu, na Muribeca. Abraçando os ideias pernambucanos, Dona Rita de Cássia souza leão Bezerra cavalcanti. Resolveu trazer para a mesa da casa-grande os ideais.
   

Dona Rita de cássia já havia criado um bolo denominado são Bartolomeu, em homenagem ao engenho, no qual havia massa de mandioca . mas o mesmo levava as especiarias européias, que foram suprimidas na versão do Souza Leão. Substituindo a manteiga francesa por manteiga feita no engenho,a farinha de trigo pela massa de mandioca. Açúcar, quase um quilo. o bolo devia ser servido apenas em porcelana e cristais.e mudando ingredientes, entrou para a história de Pernambuco.

Hoje com mais de 170 anos é hoje um dos doces mais tradicionais de Recife e Pernambuco, e com certeza, do Brasil. Abaixo, duas receitas: A original, e uma mais simplificada, para os dias atuais.

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Primeiro, a receita preparada tal Dona Ligia de Souza Leão Maia (70 anos) herdeira da família que criou a receita popular no Nordeste e a responsável pela popularização do feitio. Em 1996, quebrando a tradição familiar, divulgou o passo-a-passo do modo de prepará-lo. O resultado é um bolo de massa muito fina, pois é peneirada até 10 vezes, de textura cremosa, saborosa, mas gorduroso.

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BOLO SOUZA LEÃO TRADICIONAL

-18 gemas

Leite de 4 ou 6 cocos, depois de ralados e espremidos ou( 6 xícaras de leite de coco).

-1 kg de açúcar

– 1 Kg de massa carimã ou massa puba (o que é o mesmo que 1 kg de massa de mandioca crua ralada, lavada e espremida num pano).

-400 g de manteiga,

-Sal à gosto.

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1. Coloque, em uma panela 1kg de açúcar e 2 xícaras (chá) de água (480ml). Leve ao fogo por 2 minutos, sem parar de mexer, até o açúcar derreter. Deixe no fogo por mais 15 minutos (sem mexer) até obter um calda em ponto de fio. Retire do fogo, junte 2 xícaras chá manteiga (400g), reservando 1 colher das de sopa. Não mexa. Deixe a calda esfriar completamente.

2. Enquanto isso: descasque 6 cocos frescos médios (totalizando, descascados, 1,8kg), pique-os e coloque, aos poucos, no copo do liquidificador com 725ml de água. Bata por 6 minutos. Transfira-a para um pano e esprema até retirar todo o líquido. Deverá render 6 xícaras (chá) de leite de coco (1440 ml). Reserve.
3. Preaqueça o forno a 180C.

4. Descasque e rale 1kg de mandioca. Lave a massa da mandioca por duas ou três vezes e passe-a por uma peneira. Reserve.
5. Coloque, na tigela da batedeira, 18 gemas (270g) e bata por 5 minutos. Despeje sobre a massa da mandioca e junte o leite de coco e o sal. Misture com um batedor, por 3 minutos ou até ficar homogêneo. Acrescente a calda de açúcar com a manteiga e mexa bem.

6. Passe a massa por uma peneira fina por 8 a 10 vezes até não ter mais nenhum resíduo.

7. Forre uma assadeira (35 cm de diâmetro) com papel manteiga e unte com a manteiga reservada. Enfarinhe e despeje a massa. Leve ao forno por 1h20 minutos ou até que, enfiando um palito, este saia limpo. Retire.

8. Desenforme ainda morno e sirva.

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BOLO SOUZA LEÃO SIMPLIFICADO

Receita reduzida

600g de massa de mandioca

600ml de leite de coco,

800g de açúcar,

300ml de água,

200g de manteiga sem sal,

12 gemas,

1 pitada de sal,

margarina para untar

Modo de Preparar

1- Leve o açúcar com a água ao fogo alto, mexendo até dissolvê-lo. Pare de mexer e deixe ferver por 8 minutos ou até a calda atingir o ponto de fio. Retire do fogo e acrescente a manteiga. Misture até derreter.

Deixe esfriar completamente. Lave, escorra a massa de mandioca. Junte as gemas e bata por 5 minutos. Ponha o leite de coco e o sal e misture até ficar homogêneo.

2- Adicione a calda de açúcar com manteiga. Misture. Aqueça o forno em temperatura média. Passe a massa por uma peneira. Forre o fundo da forma com papel manteiga. Unte o papel e a lateral da forma com bastante manteiga. Ponha a massa e asse por 1h e 20 minutos ou até que, ao enfiar um palito, ele saia limpo. Desinforme quando estiver morno.

 

3-Faça uma calda rala com o açúcar e água suficiente para ficar em ponto de fio. Coloque a manteiga na calda ainda quente para derreter. Reserve. Bata bem as gemas com a massa de mandioca (pode-se comprar pronta em alguns mercados do Nordeste) e acrescente lentamente o leite de coco diluído em meia xícara de água.

 

4- Junte essa mistura com a calda amanteigada, já fria. Passe de 8 a 10 vezes numa peneira fina até não restar nenhum vestígio da goma da mandioca. Coloque essa massa finíssima numa fôrma untada com manteiga e farinha de trigo. Leve o bolo ao forno por em média 40 minutos, retire-o, ainda morno da forma. Sirva-o frio de preferência gelado.

 

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  • Maxuel Rodrigues de Moraes

    excelente gostaria de saber se a senhora Dona Rita de Cássia souza leão Bezerra cavalcanti era familia do capitão – mor Antonio dos santos coelho da silva da fazenda jenipapo em sanharo.