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A Noite dos Moribundos- Um Conto da Sedutora da Curva.

A Noite dos Moribundos nos é trazida por um talentoso escritor e poeta, EDVALDO CARDOZO. Nossa primeira colaboração ao site. Espero que apreciem seu estilo único, maldito!

A NOITE DOS MORIBUNDOS - UM CONTO DA SEDUTORA DA CURVA. POR: EDVALDO CARDOZO

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Uma noite a mais, e sempre uma noite qualquer, aqui no bairro de Dois Unidos. É sempre mais do mesmo: vejo prostitutas coçando suas partes íntimas, com o alarde de uma noite de prazer barateado. Em suplicas, reverbero um não, a mais singela e respeitosa mesquinharia de minha parte. O valor da noite da jovem fora uma passagem metrô. O preço era irrisório, apenas não era sexo que me trazia a esses lados.
A moça me chama de mesquinho, eu viro as costas como se nada disso tivesse acontecido. Ela era muito bonita de rosto, ainda. Não queria prostitutas. Enfim, peguei muitas prostitutas baratas na Av. Hidelbrando nos idos de 1980...
As vezes me magôo quando desprezam meu austero modo de vida. Estou bêbado, mas taciturno.
Passo por uma viela mal cheirosa de urinas antigas, e vejo a realidade deste povo de Dois Unidos. Quem quer falar de politica e diz que entende as dores sociais, não sabe o que é miséria real.
Saio da Rua Maria Estevam e vejo igrejas, de quase todas as congregações. Se fossem ainda 19: 00 horas, eu poderia descansar em uma missa, ou culto. Alcoolizado como sempre, ando a esmo, sem direção.
Às vezes, vultos da noite aparecem sob alguma árvore. Sei que são garotos doentes, fumando crack, fumaça inalada para dentro de seus pulmões. A cada tragada, vejo brasas fugidias, sombras de rostos no escuro. Murmúrios são acionados a cada passo esmagados em folhas. Pobres coitados, alegres em suas vidas de elfos, se preocupando pela próxima tragada.

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'" Buscava por algo mais, algo que o dinheiro não poderia comprar..."

A lua está cheia, abrasada entre as nuvens. Mas seria possível? Tão perto... Se a ciência diz que a lua está distante da terra, como parece ser tão grande? Eu me questiono, e me respondo, pois a filosofia de outros homens sempre alega a certeza de parâmetros diferenciados dos meus, dividido entre dois hemisférios, o do real e do mental.
O engraçado do vagabundo, aquele que vaga sem rumo, é que ele nunca tem marasmo em uma caminhada solitária, quando sua imaginação flui solta.
Ouço folhas de arvores baterem umas nas outras, e a razão de tal euforia deve ser por algum bicho,ou vento. Mas não está ventando. Sim. Levanto meus braços , ao entrar na Reserva Ecológica,e não sinto vento.
Estou cansado. Não dou fé a crendices; o medo, para mim é um preâmbulo de sobrevivência. A ponte pela qual passo é de madeira... me sento, escutando o barulho dos sapos e rãs. De imediato, uma dor no coração... Minutos depois, um frio assola meus braços , um arrepio. O soar dos anfíbios se torna como o choro de um bebê.
Me parece finalmente, constatar um fenômeno. Algo desce as escadarias de um coreto que fica depois desta ponte, à frente...
Tantos anos de estudos, noites de sábados perdidas, dinheiro gastos em vagabundas, pelos anos a fio. Desde 1986, e estamos em 2017: vinte e dois de janeiro de 2017.
É uma loira estonteante que desce as escadas. Quase inconscientemente, fico excitado só em pensar em transar com uma morta viva. Mas isto é crendice hollywoodiana, não existem zumbis !

"... Mas , havia o amor."

Só existe, de fato, o amor. A dor do coração, o arrepio do braço.  Não cometo o mesmo erro do primeiro homem que a assediou. Não se preocupe meu bem.  não vou te  escantear, sei de sua história e de sua dor..
Beijo suas mãos frias, ela é linda. Se mostra linda a mim.Talvez por eu tê-la encontrado,  e não ser um cafajeste. Ela me crê digno. E é   por isso que não sinto ossos de uma caveira por sob a saia. Seria o medo uma auto-defesa da sedutora da curva,   mostrado a repulsa à todos os  homens inescrupulosos?
Minhas duvidas são respondidas no silêncio de um riso no canto de sua boca.

 Eu a admiro em sua aparência virginal. Bem saímos em direção do escuro, de mão dadas, e  deixo algo para trás... deve ser o meu lado bioiológico, cientifico e racional.
Ela está feliz ao meu lado.

 

 

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Posted in Assombrações, Assombrações do Recife, Bairros do Recife, Conto, Conto Convidado, Crônica, Curiosidades, Literatura, Mulheres Assombrosas, terror.
  • Paulo Henrique

    Legal…a história parecia ter continuação

    • Roberta Cirne

      He he pois é, depende do escritor agora. Mas é bem obscura!